Bovespa tem o pior semestre desde 2008. Alerta vermelho?

Não dá para dizer que o primeiro semestre de 2013 foi um mar de rosas para os investidores da Bovespa. Na verdade, o desempenho da bolsa de valores brasileira de janeiro a junho foi o pior de que sem notícia desde 2008, ano da crise econômico-financeira que abalou o mundo. O Ibovespa desabou mais de 20% na primeira metade de 2013, contra mais de 40% na segunda do ano negro do mercado financeiro.

Um dos fatores que motivou os investidores a vender suas ações brasileiras é o cenário global de incertezas. Nos Estados Unidos, a ameaça de que o banco central norte-americano retire os dólares que vem injetando na economia, coincidentemente ou não, desde a crise de 2008, tem tirado o sono de muitos investidores.

 

Caso isso aconteça, há preocupações de que comecem a faltar dólares no mercado, o que tem favorecido a realocação dos investimentos para ativos com exposição à moeda norte-americana por exemplo. Esse também é um dos principais motivos da alta do dólar neste ano.

 

Outra justificativa para a forte queda do Ibovespa neste ano também vem do exterior: a desaceleração da economia da China. A principal parceira comercial do Brasil vem mostrando dados fracos sobre o ritmo da indústria e do varejo e ainda divulgou recentemente a projeção de crescimento econômico de “apenas” 7,5% em 2013.

 

Para o Brasil, que tem sofrido com o apelido de pibinho, pode parecer muita coisa, mas comparativamente esse dado chinês está realmente abaixo do desempenho recente. Lembre que a China já chegou a apresentar crescimento na casa de 10%.

 

Mas não dá para colocar a culpa só no exterior. Fatores internos também têm ajudado a minguar o desempenho do mercado acionário brasileiro. Além dos números desanimadores do nosso PIB no primeiro trimestre (pibinho, lembra?), um alerta da agência de classificação de risco S&P para a situação financeira do Brasil e a onda de manifestações que se alastraram pelo país contribuem com o mau humor entre os investidores.

 

Todos esses elementos se juntam no caldeirão que tem levado o mercado a questionar as finanças corporativas das empresas brasileiras que negociam suas ações na Bovespa. As empresas do grupo EBX, do empresário Eike Batista, estão na lista das quedas mais expressivas do semestre. Uma série de dúvidas a respeito das metas de crescimento das companhias, após algumas projeções frustradas, tem corroído o preço dessas ações.

 

O portal InfoMoney divulgou um estudo muito interessante elaborado pela corretora Ativa, destacando as ações que tendem a se beneficiar mais ou menos do atual cenário do mercado financeiro, considerando, principalmente, a tendência de alta do dólar.

 

Confira os destaques positivos:

Embraer (EMBR3)

Multiplus (MPLU3)

Vale (VALE3)

Suzano (SUZB5)

Fibria (FIBR3)

Gerdau (GGBR4)

Usiminas (USIM5)

JBS (JBSS3)

Marfrig (MRFG3)

BRF (BRFS3)

Eletrobras (ELET6)

 

E os negativos:

Sabesp (SBSP3)

Gol (GOLL4)

Petrobras (PETR4)

Hering (HGTX3)

Hypermarcas (HYPE3)

Technos (TECN3)

Lojas Renner (LREN3)

Lojas Americanas (LAME4)

 

É importante ponderar que as listas acima resumem perspectivas e não devem ser interpretadas, de forma alguma, como garantia de ganho ou perda. A primeira regra para lidar com o mercado financeiro é justamente saber que a única certeza que existe é a volatilidade, ou seja, a variação dos preços das ações para cima ou para baixo. Infelizmente, a trajetória daqui pra frente é impossível de determinar.

 

Assim, o consenso é de que o momento atual da bolsa de valores brasileira deve ser acompanhado com muita atenção pelos investidores, principalmente nos desdobramentos dos fatores já citados aqui. Notícias sobre o fim da injeção de dólares no mercado dos EUA e do desempenho econômico da China e do Brasil tendem a influenciar muito.

 

Entretanto, não dá para negar que os momentos de baixa são as melhores oportunidades para se começar a investir na bolsa, já que as ações estão mais baratas. Com prudência, assessoria de especialistas e uma reserva financeira paralela, para que você não dependa do dinheiro que será investido, você poderá colher ótimos frutos dessa opção de investimento no longo prazo.

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