Por que o dólar está subindo e o que isso muda na sua vida?

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Se você andou dando uma espiada no noticiário econômico recente, certamente viu alguma reportagem sobre a alta do dólar e a preocupação que isso tem gerado no governo e nos especialistas de mercado. Talvez você tenha se questionado se realmente há motivos para se preocupar tanto e, principalmente, de que forma esse cenário pode impactar o seu dia a dia.

O movimento da moeda norte-americana começou a chamar mais atenção no mês de maio, período em que ela acumulou valorização de mais de 7%. Para se ter uma ideia do que isso significa, atualmente a cotação do dólar aproxima-se dos R$ 2,20, contra R$ 2,05 no começo do ano.

Esses R$ 0,15 podem não parecer muita coisa se olhados pontualmente. Mas se você pensar em quantias maiores (como a que você necessitará se for viajar para o exterior nas férias de julho), vai começar a ter uma ideia de por que essa valorização tem deixado o mercado com a pulga atrás da orelha.

Um pacote para Miami de oito dias, incluindo passagem, translado e hospedagem, fica em torno de US$ 1.500,00 por pessoa. Se sua viagem fosse no começo do ano, você desembolsaria R$ 3.075,00. Hoje, entretanto, sua viagem ficou R$ 225,00 mais cara. Ainda parece pouco? Se você for com a família, multiplique esse valor pelo número de acompanhantes.

Mas mesmo se você não tiver planos de viajar para o exterior em breve, não ache que um dólar mais caro não impactará sua vida em nada. É só lembrar que muitos dos produtos que consumimos são importados ou, pelo menos, possuem componentes comprados no exterior. Bons exemplos são eletroeletrônicos, carros, alimentos (como o trigo, matéria-prima básica do seu pãozinho matutino) e até a gasolina.

Por que o dólar está subindo?
Em se tratando de economia, nunca acredite em alguém que coloque uma única explicação simples para justificar os movimentos do mercado. Qualquer explicação plausível deve sempre contar com mais de uma variável. Assim, confira alguns dos pontos que analistas de mercado têm destacado para tentar explicar por que a moeda norte-americana está valorizando tanto:

Sinais de que a economia dos Estados Unidos está finalmente se recuperando. Desde o trauma gerado com a crise financeira de 2008 e 2009, que começou justamente nos EUA, a economia norte-americana tem dado trabalho para o presidente Obama. A produção não cresce, o desemprego aumenta e, com ele, as dívidas do setor público, que acaba financiando população e empresas afetadas pelas amargas consequências de uma economia fraca.
A boa notícia é que, finalmente, a economia do país parece estar voltando para os eixos. Obviamente, há muito ainda o que se fazer, mas especialistas acreditam que o pior parece mesmo ter ficado para trás.

Perspectivas de menos dólares disponíveis no mercado. Também por conta da crise, o governo norte-americano tem inundado o mercado norte-americano com dólares. Trate-se de um programa de injeção direta de dólares na economia, para garantir que a moeda não falte para quem tiver interesse em comprá-la. Isso se explica porque na época da turbulência global, a ameaça de faltar dólares no mercado gerou pânico entre investidores e empresas. E o governo dos EUA quis dar um jeito nisso.
Mas agora, com a economia começando a se estabilizar, muitos especialistas têm questionado por quanto tempo o governo norte-americano ainda achará necessário intervir no mercado de câmbio. Caso o fornecimento de dólares seja suspenso, uma nova onda de pânico é pouco provável, mas aqui também vale a boa e velha lei da oferta e da procura: quando há pouca oferta de um produto (no caso, o dólar), os preços tendem mesmo a subir.

Os dois motivos citados acima apontam para uma tendência global de valorização do dólar, que realmente vem se confirmando. Isso quer dizer que não se trata de um comportamento pontual em relação ao real. A divisa norte-americana está ficando mais cara diante da maioria das moedas estrangeiras.

E o governo brasileiro, como de praxe, está acompanhando de perto essa tendência. Apesar de não reconhecer formalmente, ele está pronto para intervir caso essa valorização do dólar comece a ficar exagerada. Um bom exemplo é o anúncio recente de redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investidores que queiram trazer dólares para investir em produtos financeiros brasileiros.

Lembra a lei da oferta e da procura? Com um imposto menor, o cenário de investimento no Brasil se torna mais convidativo para os estrangeiros. Com mais dólares entrando em nosso mercado, a cotação da moeda norte-americana tende a cair para quem quiser comprá-la com reais aqui em nosso país.

Assim, não há motivo para pânico. Não há perspectivas de faltar dólar no mercado no curto prazo. Mas, ainda assim, vale acompanhar os próximos capítulos dessa novela que, ao contrário do que muitos pensam, tem tudo a ver com as nossas vidas.

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